"AMAR É QUANDO A ALMA MUDA DE CASA..."
MÁRIO QUINTANA.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012



"Lembro-me de acordar na véspera de Natal com um delicioso cheiro das comidas que estavam sendo preparadas para a ceia.
Lembro-me da tranquilidade natalina e da alegria contagiante que havia na casa, na cozinha...

Lembro-me que entre uma e outra comidinha roubada eu me sentia especialmente feliz e amada naqueles dias... Nunca tive uma família grande, éramos quatro, mas a magia no Natal não paira apenas para as famílias enormes de filmes e comerciais, sentados em volta da imensa ceia... E nosso Natal era maravilhoso.

Lembro-me das comidas deliciosas, de como a mesa ficava farta e bela, e como orgulhosa ela ficava, minha vó amada... Assim que os elogios começavam.

Lembro-me de ficar hipnotizada pela árvore de Natal com reluzentes enfeites dourados e enormes bolas vermelhas todos de vidro... Intocável e linda! 

Lembro-me de dormir mais cedo, morrendo de ansiedade para ver na manhã seguinte o que o bom velhinho tinha me deixado em baixo da cama. E ele nunca falhava...

Tempo bom que não volta mais... Muitas vezes, depois que cresci, queria estar em outro lugar, os amigos me esperavam, o namorado, e a cabeça já nem estava mais lá... E estar presente era uma imposição, não mais uma escolha. E ainda bem que foi assim, pois se eu soubesse, quantos outros natais eu passaria sem eles, teria ficado mais, aproveitado mais, olhado mais pra eles, abraçado e beijado mais... Saído menos e me preocupado menos com os demais... Porque a família é nosso bem mais precioso e por mais que desejemos e acreditemos, eles não são eternos. Infelizmente!

Todo Natal sinto uma saudade maior que eu, que parece não caber em mim... Uma vontade imensa de ficar apenas mais uma vez com eles, compartilhar mais um Natal... Mesmo sabendo ser o último... Mas, esse desejo Papai Noel não poderá realizar. 

Formamos uma nova família, fazemos novos laços, tenho meus filhos e motivos pra comemorar...
...Tenho meus velhos amigos e os novos que um dia serão velhos amigos também.
Mas, aquele espaço vazio e aquele buraco, serão eternos e insubstituíveis, sempre estarão lá.
E embora eu não diga nada e até pareça e esteja feliz, me falta um enorme pedaço que jamais me será devolvido. Não há cura, sempre haverá uma cicatriz.
Uma saudade que dói e sufoca pela ausência , mas afaga e aquece pelos bons momentos que ficarão eternamente na lembrança..."

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