"AMAR É QUANDO A ALMA MUDA DE CASA..."
MÁRIO QUINTANA.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O eterno Ayrton Senna do Brasil


Não é fácil falar desse homem, do que ele significou para nós brasileiros, de como foi capaz de nos trazer alegria e afastar qualquer problema por alguns instantes nos dias de domingo...
Quem viveu no período em que a Fórmula 1 era para nós, quase que como o futebol, sabe do que eu estou falando...
Senna era brilhante, tinha uma estrela na testa e vitória nos olhos, ele conseguia nos hipnotizar nas manhãs de domingo e o dia só começava depois que ele corria. E na maioria das vezes o domingo era ainda melhor quando ele ganhava, e a cada nova conquista, a cada nova vitória mais próximos ficávamos.

Senna tinha o dom de pintar nosso peito de verde e amarelo, mesmo com todos os problemas que o Brasil tinha há mais de 20 anos. Ele conseguia plantar em cada um de nós o orgulho em ser brasileiro. Vendo o orgulho refletido em seus olhos, no momento em que ele segurava a nossa bandeira brasileira, balançando efusivamente a cada nova conquista.
E por alguns minutos a música que ecoava na TV nos tirava de órbita e arrepiava todo o corpo e chegava até a nossa alma...
Quando chovia, a festa começava antes, pois a vitória era quase certa, ele pilotava com maestria na chuva, não tinha medo, não tinha limites, testava a si mesmo e a máquina a todo instante, ele se divertia, corria com prazer, fez diversas corridas inacreditáveis e históricas, encheu nosso peito de um patriotismo que era reflexo do dele, e fez por anos, com que os brasileiros acordassem mais cedo aos domingos para torcer, se alegrar e se emocionar e comemorar com ele... Ele trazia para o povo brasileiro uma esperança que não se pode explicar...
Eu era um desses brasileiros, ainda sou, mas com menos brilho aos domingos, com menos emoção e menos comemorações.

Lembro que no dia da última corrida, o Brasil ficou em silêncio quando ao invés de sair do carro esbravejando e furioso, como era de costume quando o carro não o obedecia, ou algo fora do planejado acontecia, mas ele não saiu. E aqueles segundos angustiantes onde eu  mal conseguia piscar ou respirar, pareciam infinitos... A esperança de vê-lo saindo do carro de fórmula 1, coisa que não acontecia, foi se minimizando... E não aconteceu!
E muito se falava do estado dele, mas nada de concreto, nada definitivo, e Senna nos deu ali naquele momento, na hora da sua partida, a nossa última esperança...
Mas, quando finalmente ele foi socorrido, vê-lo ali sem reação, foi algo tão angustiante que não se pode expressar, a sensação que algo estava muito errado tomou conta de cada um que assistia petrificado o rumo daquela corrida, quando a notícia de sua morte chegou, ninguém acreditou, caiu como uma bomba na casa de casa brasileiro, cada um sentiu como se tivesse perdido um parente próximo. A sensação de perda era enorme e parecia absurdo que aquilo estivesse realmente acontecendo. Heróis deveriam ser imortais... A reação era de negação. Parecia mentira...

Confesso que fiquei chocada, arrasada e chorei... E ainda hoje, quando leio algo falando sobre ele, sobre quem ele foi e o que significou, mexe comigo e com minhas emoções, confesso que quando toca a música que tocava quando ele ganhava, ainda me arrepia e emociona,e sempre me remete a Senna, as suas conquistas e as nossas comemorações.
E tenho a sensação que o tema musical de Ayrton Senna do Brasil deveria ser proibida de tocar com outros pilotos ou com outro sentido. A música de Senna, deveria ser só dele. Afinal é dele em nossos corações, nos corações de quem teve o prazer de vê-lo aos domingos.

E quem não entende o luto que o Brasil ainda veste, mesmo após 20 anos, certamente não teve a satisfação de dividir com ele os domingos, e por algumas vezes, outros dias da semana... Portanto não poderá jamais entender o que ele representou e representa para nós brasileiros, um mito, um herói, mais que um ídolo, um marco.
Alguém que mostrava em atitudes, que tinha prazer e orgulho em ser brasileiro, que nos passava essa vontade de ser patriota, esse orgulho e alegria que poucas vezes sentimos... Essa esperança que é possível ser vencedor, ser campeão e ter orgulho de ser brasileiro.

2 comentários:

Lucas - Blog: Overture disse...

Teu texto é tocante! Sensível, verdadeiro, consegue uma coisa rara nos escritores do mundo inteiro: ser ao mesmo tempo 'apaixonado e sóbrio'. Alguém dirá que isso é impossível. Eu direi que quem sabe escrever o consegue. Você transbordou disso. A 'música da vitória' deveria, por princípio, ter-se imortalizado em Senna; criar outra música da vitória não ofenderia a corredor algum, porque aquela é do Senna. Nossos domingos perderam essa graça não apenas porque os outros pilotos brasileiros não têm tido sequer uma pequena parte daquele talento, mas também porque sua partida precoce deixou um inevitável vazio. Não queríamos apenas outro vencedor como ele, queríamos, no fundo, permanecer com ele e ter outros. E isso dói de verdade. És muito bela no que escreves. Beijossssss

Ana Paula Moraes disse...

Obrigada Lucas. Fico lisonjeada pelas suas palavras e feliz por você ter compreendido além do que eu disse. Pois, foi exatamente o que eu quis dizer.
Volte sempre! Abs